Espontaneidade
Blogue de poesia, pequenas observações cotidianas. Comentários de livros, filmes, discos ou letras de música.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Lentamente
─ Ele morreu lentamente.
─ Mas qual a causa mortis?
─ Não sei, ele morreu lentamente.
─ Lentamente como?
─ Foi morrendo lentamente, perdendo as forças, se apagando devagarinho...
─ Mas você não tentou fazer nada?
─ Fiz tudo que podia.
─ Fez o quê?
─ Tudo.
─ Mas não conseguiu salvá-lo?
─ Salvá-lo?
─ É. Você acabou de nos dizer que fez tudo que podia para salvá-lo.
─ Que salvá-lo? Fiz tudo que podia para que o filho da puta morresse lentamente e fiquei ali olhando sua vida se apagando, devagarinho...
olhar
Basta um olhar
Só um olhar
Olhar
Olhar de frente, soslaio.
Basta um olhar
Só um olhar
Para tudo se acabar, para tudo se bastar
Um olhar.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Divisor de águas
Divisor de águas
Águas barrentas, águas claras
Divisor de águas
Águas em conflito, águas mansas
Divisor de águas
Águas,
água,
ah!
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
cabelos com gilete
Ela cortava seus cabelos com gilete. Pra amar ela usava unhas, entranhas e dentes. No samba e no terreiro, flutuava. Ela era toda noite. Toda luz. Toda fêmea, na sutileza, no cio e na ferocidade. Ela era toda luta. Mas quando foi pra se matar, ficou esperando quieta a morte chegar. Esperou toda sua vida escorrer.
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