pelas cartas não recebidas
pelos olhares não atingidos
peles não tocadas
lábios calados
músicas desligadas
textos deletados.
pelas cartas não lidas.
Blogue de poesia, pequenas observações cotidianas. Comentários de livros, filmes, discos ou letras de música.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
sábado, 8 de maio de 2010
ENTRADAS E BANDEIRAS
Os pontos que se cruzam
estradas que se buscam
atalhos que se encurtam
bifurcações que se confundem.
estradas que se buscam
atalhos que se encurtam
bifurcações que se confundem.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
noite de autógrafos coletiva e fotografia
Estarei em Guará no Senac no Encontro Cultural Dona Eta (Guará ) Dia 07/05 -junto com Clebber Bianchi, Fabiano Garcez e Paulo Franco em uma noite de autógrafos coletiva.
Se tiver de bobeira, apareça lá, haverá também no mesmo espaço e horário uma exposição de fotografias.
Se tiver de bobeira, apareça lá, haverá também no mesmo espaço e horário uma exposição de fotografias.
sábado, 24 de abril de 2010
Foto de JURA
Andei um bocado pra chegar até o ideal
subi morro e encostas, varei cerca e trilhas
escorreguei, caí.
Lugar danado de bonito, visão pra epifanias
"eu quero uma casa no campo"
"Há tempos eu fiz um ranchicho pra minha cabocla morar"
sexta-feira, 23 de abril de 2010
RESENHA
Diálogos que ainda bem que restam
Por Jurandir Rodrigues
Uma bela obra que traz em seus diálogos lirismo confessional, sempre revisando o passado: da infância que clama por um senso justiça: “O mundo ainda não estava preparado para um outro senso de justiça!”, que se lembra do cheiro do café da avó. Diálogos com o amor e com a própria poesia, como nos versos abaixo de Penso em você como uma poesia,
“Com o seu corpo de versos brancos
Separado em três estrofes
Suas rimas já foram emparelhadas a mim,
hoje são opostas
O ritmo cadenciado do seu coração
deixa o meu em grandes pausas”
Diálogos como em “Soneto ao meu amor” que dialoga com os mestres do gênero: Camões, Vinícius... Um diálogo com o inconformado Álvaro de Campos em “Sou Nada, como nos mostra os versos a seguir: “ Não sou/ Não quero ser/ Ou melhor, quero ser como o nada...” Uma revisão de Deus e do que as religiões fizeram dele. “Quem goza da liberdade do pensamento,/ está mais próximo e comunga Deus com os seus.”
Fabiano tem a consciência das palavras, tem o domínio da morada delas e do diálogo que elas são capazes de empreender com nossas almas. Tem em suas mãos ritmo e musicalidade casados. Diálogos que restam em sentimentos, sensações e sentidos: a voz da avó e o cheiro de seu café, e o principal: a voz do poeta, a visão sobre si mesmo e o outro e sobre Deus, o calor, o frio e o arrepio. Diálogos que nos tomam por inteiro, diálogos que nos prendem até o último verso. Fabiano nesses diálogos nos ensina a noção exata de ser poeta, de ler e de lidar com a poesia. Sua poesia nos prende por todas as sensações, sentimentos e sentidos.
Por Jurandir Rodrigues
Uma bela obra que traz em seus diálogos lirismo confessional, sempre revisando o passado: da infância que clama por um senso justiça: “O mundo ainda não estava preparado para um outro senso de justiça!”, que se lembra do cheiro do café da avó. Diálogos com o amor e com a própria poesia, como nos versos abaixo de Penso em você como uma poesia,
“Com o seu corpo de versos brancos
Separado em três estrofes
Suas rimas já foram emparelhadas a mim,
hoje são opostas
O ritmo cadenciado do seu coração
deixa o meu em grandes pausas”
Diálogos como em “Soneto ao meu amor” que dialoga com os mestres do gênero: Camões, Vinícius... Um diálogo com o inconformado Álvaro de Campos em “Sou Nada, como nos mostra os versos a seguir: “ Não sou/ Não quero ser/ Ou melhor, quero ser como o nada...” Uma revisão de Deus e do que as religiões fizeram dele. “Quem goza da liberdade do pensamento,/ está mais próximo e comunga Deus com os seus.”
Fabiano tem a consciência das palavras, tem o domínio da morada delas e do diálogo que elas são capazes de empreender com nossas almas. Tem em suas mãos ritmo e musicalidade casados. Diálogos que restam em sentimentos, sensações e sentidos: a voz da avó e o cheiro de seu café, e o principal: a voz do poeta, a visão sobre si mesmo e o outro e sobre Deus, o calor, o frio e o arrepio. Diálogos que nos tomam por inteiro, diálogos que nos prendem até o último verso. Fabiano nesses diálogos nos ensina a noção exata de ser poeta, de ler e de lidar com a poesia. Sua poesia nos prende por todas as sensações, sentimentos e sentidos.
A quarta parede: Poesia encenação
Por Jurandir Rodrigues
Paulo Franco, um poeta que põe a alma translúcida à mostra na frente do palco como nos versos iniciais do livro e do poema “A estátua”:
“A alma estendida no varal
a me conter de encantos.
Desalinhos no que sou
confundem o que sinto
num quintal de prantos.”
Poeta que brinca e sofre com o seus versos que nos remete a outro poeta brincador-sofredor-fingidor nas estrofes abaixo dos poemas “A pessoa” e “Infinito”, respectivamente:
“Do outro lado da minha janela
inúmeros donos de tabacaria
riem-se de mim
que não me sinto pessoa.”
“E nunca sei se escrevo
a parte que me cabe
do que sei de mim
e , às vezes, calo
pra fingir o que não sinto.”
Com claras e enigmáticas referências ao teatro, ou à vida como símbolo e metáfora de encenações e roteiros a serem seguidos, a atores perdidos nas coxias e textos. O título já nos remete a tudo isso e também os versos abaixo do poema “O Camarote”:
“A peça é parte arredia
do contexto de paixões intensas
que se quebram em instantes
desfazendo as emoções dos outros
para sempre.”
A mesma metáfora da vida que se confunde com o palco, roteiros previamente escritos que seguimos estão presentes nos versos abaixo do poema “O circo”.
“Do alto do meu espetáculo
observo na plateia
o que não quero ser
e represento pros que aplaudem
o teatro do que somos
nas coxias onde estamos,
mas mostrando um picadeiro
que não quero ver.”
A quarta parede, um livro de poemas que se confunde com uma peça de teatro em que os poemas são personagens que nos dizem, sem medo e amarras, quem somos e que nos espreita a alma maquiada para um grande espetáculo, ou nossa alma pálida fugindo dos palcos para esconder nas coxias fragilidades e temores.
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